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Bodybuilders: Guerreiros natos

Prof. Jorge Tanaka

Quero começar esta matéria me apresentando aos leitores. Meu nome é Jorge Tanaka, mais conhecido no meio como “Japonês de Suzano”. Tenho 42 anos, sou Bacharel em direito, mas metade de minha vida me dediquei ao culturismo e à musculação – 23 anos mais precisamente.

Vou narrar aqui um pouco de minha trajetória: sempre lutando contra minha genética (pouco favorável para desenvolvimento de massa muscular) fui e sou ferrenho pesquisador sobre a área. Comecei treinar aos 19 anos e iniciei no mundo das competições aos 28 mais ou menos. Apesar de uma genética pouco favorável, sempre acreditei que a dedicação aliada à inteligência e conhecimento fariam diferença na minha jornada no esporte. Não estava errado, hoje sei disso melhor do que qualquer cientista esportivo... A verdade é que sempre que competi, raras foram as vezes que fiquei de fora dos 03 melhores.

 

Acontece  porém que tinha um sonho: ser campeão brasileiro pelo menos uma vez na vida, rs. Apesar de no meu currículo já haver grandes títulos como o de campeão Paulista, bicampeão Sul/Sudeste, campeão Paulista do interior, campeão da Copa Brasil dos campeões e outros.

Decidi então que 2008 seria o ano da realização do meu sonho. Procurei fazer tudo da melhor maneira possível, fechando todas as brechas que poderiam me afastar do título, desde alimentação até os melhores  suplementos existentes no mercado (nacional e importado), não importando preço. Estava decido em fazer o melhor...e  fiz. Quero salientar aqui que em momento nenhum deixei de lado minha família que na minha vida está em primeiro lugar abaixo de Deus. Já vi muitos atletas sacrificarem sua família para obterem sucesso. Eu pagaria um alto preço, mas nunca esse, pois sei que meus títulos são passageiros, mas a família e a atitude como homem perduram a vida inteira... Mesmo depois que morremos somos lembrados pelo que fomos ou fizemos...

Bem, iniciei minha temporada de competições pelo Paulistão logo  de cara. Fui vice campeão, mas isso não me abalou pois sabia que ainda  estava aquém da minha melhor forma, ainda mais depois de 3 anos sem competir.

Passados uma semana resolvi extrair um lipoma que tinha no abdomem. Pela minha pele estar muito fina, achei que seria muito simples o procedimento médico. Mas uma fatalidade nos pegou de surpresa (a mim  e a meu médico): ele empurrou o lipoma pra perto do umbigo e lá fazer a incisão para que não ficasse cicatriz aparente. Qual não foi nosso espanto quando ele cortou o vaso que alimentava o bendito e este vinha de mais de 8 cm de distância do umbigo. Já imaginaram o que ocorreu, não é? Isso mesmo o vaso assim que cortado voltou para sua região e sangrava muito. De um simples procedimento médico viria a se tornar uma cirurgia de 3 horas. Nada grave, mas ele teve todo cuidado de não deixar uma cicatriz enorme no abdomem e da mesma incisão conseguiu com muito esforço estancar o sangramento.

Passado o susto uma outra coisa me preocupava, o campeonato brasileiro que ocorreria 5 semanas depois e no qual eu já estava classificado. Meu mundo desabou, pois a minha chance de me tornar campeão brasileiro estava ameaçado e aquele seria meu último ano de competição. Comecei a me abater, mas um sábio conselho de minha  esposa me impeliu a prosseguir: “você chegou até aqui, continue a dieta e veja se até o dia dá para entrar. Você não tem nada a perder...” isso me motivou muito e prossegui na minha preparação. Enquanto trabalhava na academia ficava quase que direto com a placa de gelo em cima da cirurgia para tirar o edema e o hematoma. Prendia a placa com o cinto de agachamento com pausas de 30 minutos para que a pele não fosse queimada.(perceberam que o cinto não serve só para agachar? Rs.)

Estava há uma semana do campeonato. O edema já havia diminuído ficando apenas um pouco, do hematoma. O treino a milhão. Só restava esperar...

Competi com tranquilidade. Não fui o campeão pois a grande forma do atleta romenildo da Bahia, me impediu, mas todos disseram que foi uma grande “briga”, se qualquer um dos dois que vencesse não teria havido injustiça, mas seu grande volume prevaleceu.

Meu sonho de ser campeão brasileiro não havia sido realizado, mas pra mim teve um sabor de vitória excepcional, pois havia sido convocado para o campeonato sul americano que se realizaria na minha “casa” – Suzano. Detalhe: eu estava convocado para o sul americano no culturismo clássico, mas garanti a vaga também na master, através do brasileiro.

A CBCM achou melhor que eu disputasse na clássico mesmo, para aumentar as chances de pontuação para a equipe brasileira. Fui 5º colocado. Se tivesse disputado na master com certeza teria sido o 3º, mas para mim foi muito mais que uma vitória. Sou o primeiro atleta do alto Tietê a disputar um sul americano. Isso me deixa satisfeito, ainda mais para um atleta com poucos recursos genéticos.

Que minha história sirva  de exemplo para outros gladiadores culturistas que vem por aí...

Posso me dar ao luxo de mudar a célebre frase que todos conhecem para: “ sou bodybuilder e não desisto nunca...”

Não pensem que parei aqui. Meu desafio agora é entrar na política, representando esse esporte que  tanto amo, e ainda chegarei lá. Alguém duvida?

 

 
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